Normas e Segurança

Quando o prazo de entrega vira um problema para a obra: um alerta sobre a importância da logística dos fornecedores

Quando uma obra está programada, temos uma equipe técnica mobilizada, um cliente na expectativa e um cronograma a seguir. Se um material não chega no prazo combinado, o problema deixa de ser apenas uma falha logística do fornecedor e passa a ser um gargalo na execução do nosso serviço.

Por Prof. Tiago de Oliveira Pereira, Eletrotécnico CRT-SP 39010733882 7 min de leitura
Quando o prazo de entrega vira um problema para a obra: um alerta sobre a importância da logística dos fornecedores

Para quem vive o dia a dia de obras elétricas, especialmente na infraestrutura para carregadores de veículos elétricos, planejamento e prazo não são meros detalhes. Eles são a espinha dorsal do serviço.

print tentato justificar ao cliente

Justificando via WhatsApp para o cliente que estava indo pessoalmente conversar sobre o incidente.


Quando uma obra está programada, temos uma equipe técnica mobilizada, um cliente na expectativa e um cronograma a seguir. Se um material não chega no prazo combinado, o problema deixa de ser apenas uma falha logística do fornecedor e passa a ser um gargalo na execução do nosso serviço.


Recentemente, a P-Solar passou por duas situações distintas envolvendo a logística de um mesmo fornecedor, a Santil. O objetivo deste artigo não é fazer uma crítica gratuita à empresa, mas sim compartilhar uma vivência real do mercado e propor uma reflexão fundamental para nós, profissionais, e também para os consumidores: preço e variedade são ótimos, mas a capacidade de cumprir prazos precisa ter peso igual na escolha de um fornecedor.

O primeiro episódio: um atraso contornado pelo bom atendimento

Há cerca de um mês, compramos materiais na Santil para a instalação de um wallbox WEG WEMOB de 7,4 kW em um residencial em Alphaville. O escopo envolvia a adequação do padrão de entrada, cabeamento de alta qualidade e a entrega do ponto de recarga em Modo 3.


A modalidade escolhida foi a retirada dos materiais na loja da Santil em Alphaville. No entanto, no dia programado, os itens não estavam separados e disponíveis.


Aqui, é preciso registrar o outro lado da moeda. Ao acionar o vendedor Elton e a gerência na ocasião, encontramos uma equipe disposta a resolver o B.O. Eles se movimentaram, disponibilizaram os materiais imediatamente e permitiram que a P-Solar seguisse com a obra. Tivemos um atraso de umas três horas para iniciar, mas o serviço foi entregue com excelência e no mesmo dia.


Apesar do susto, a experiência final foi positiva. Fiz questão, inclusive, de deixar uma avaliação positiva no Google, reconhecendo a boa vontade da equipe da loja em não nos deixar na mão.

Um mês depois, a história se repete (com um agravante)

Na semana do dia 12 de outubro, aproximadamente um mês após o primeiro caso, o raio caiu no mesmo lugar.


Desta vez, a compra foi feita pelo e-commerce da Santil, com solicitação de entrega direta no endereço do cliente. O prazo previsto estourou e o material não chegou.


A diferença fundamental aqui é que não havia a opção de "dar um pulo na loja" para retirar e salvar o dia. A obra já estava programada. A equipe já estava mobilizada. O cliente já estava esperando.


O resultado prático e doloroso disso? A obra já sofreu dois dias de impacto exclusivo por conta desse atraso logístico.

Quando o atraso do fornecedor vira prejuízo para o instalador

Para quem olha de fora, dois dias podem parecer pouca coisa. Para uma empresa de engenharia e instalações, dois dias representam uma perda financeira considerável.


A equipe técnica precisa ser remunerada mesmo quando fica de braços cruzados esperando material. Há custos de deslocamento, a agenda da semana vira uma bola de neve e, o mais importante de tudo, a nossa reputação perante o cliente é colocada em xeque.


No nosso caso, esse atraso comeu a margem financeira da obra. É um prejuízo absorvido 100% por quem está executando o serviço.


É exatamente isso que quero alertar aos colegas de profissão: um fornecedor pode ter um produto excelente e o melhor preço do mercado, mas se o material não chegar na data combinada, o seu planejamento vai por água abaixo.

E o atendimento de hoje? O fator humano tentando salvar o processo

Diante do atraso, tentamos contato telefônico para buscar uma solução. Em uma das tentativas, a ligação simplesmente era desligada antes que conseguíssemos falar com a gerência (e tenho a impressão que o funcionário que atendeu desligou propositalmente).


Sem tempo a perder, decidi ir hoje (13/10) pessoalmente à loja da Santil em Alphaville para formalizar a reclamação e resolver isso frente a frente. E aqui faço questão de ser muito justo: fui atendido pelo gerente Neto Paixão, que fez a diferença.


Neto foi extremamente cortês, entendeu a gravidade da situação e fez absolutamente tudo o que estava ao seu alcance para amenizar o impacto gerado por esse problema logístico que, no fim das contas, veio do e-commerce/distribuição. Ele escalou o caso internamente com agilidade e nos deu um novo posicionamento de que a entrega deverá ocorrer amanhã, dia 14 de outubro de 2026.


Isso mostra que, mesmo no meio de uma experiência corporativa negativa (a falha logística), continuamos apostando no diálogo e esbarramos em profissionais sérios, como o Neto, que vestem a camisa para tentar ajudar o cliente.

A P-Solar não tem fornecedor "de estimação"

Sempre deixo isso muito claro: a P-Solar não escolhe parceiros apenas por costume. Não temos rabo preso com nenhuma marca ou loja.


Nossa escolha é sempre baseada no que é melhor, mais seguro e mais eficiente para cada obra e cada cliente.


Preço, qualidade, disponibilidade, prazo de entrega, suporte e confiabilidade formam o pacote que avaliamos. Um fornecedor pode ser imbatível no balcão, mas falhar no e-commerce. Cabe a nós, profissionais, mapear isso. E quando uma falha dessas acontece, ela entra na balança das próximas cotações.

O que levamos de lição?

Para você que atua com instalações, construção ou manutenção, faça a si mesmo estas perguntas antes de fechar o carrinho de compras:


  • O produto está realmente em estoque?
  • O prazo informado é histórico de ser cumprido?
  • A entrega é própria ou terceirizada? Tem rastreio?
  • Se der problema, o canal de resolução é ágil?
  • Se a entrega falhar, posso retirar em loja física?
  • Eu tenho um "Plano B" para materiais críticos?
  • Quem paga a conta da minha equipe parada se o material não chegar?


Parece exagero até o dia em que você fica com dois técnicos sentados no meio-fio esperando uma transportadora. Logística é custo de obra.


Escolher com critério é proteger a sua reputação

Este texto não afirma que a Santil é uma empresa ruim ou que todo mundo terá problemas com eles. Como relatei, já fomos salvos pelo Helton no mês passado e muito bem atendidos pelo gerente Neto Paixão hoje.


O alerta aqui transcende a Santil. Serve para qualquer fornecedor.


Antes de olhar só para o preço no final da nota fiscal, avalie a robustez logística da empresa. Porque, no final do dia, quem dá as caras para o cliente somos nós.


Se o fornecedor atrasa, é o nosso telefone que toca. Se a equipe para, é do nosso bolso que sai. Se o cliente se frustra, é o nosso nome que está na reta.

Espaço aberto para a Santil

Como sempre prezamos pela transparência, este espaço está aberto para a Santil.

Caso a empresa queira se manifestar oficialmente sobre os fatos relatados ou apresentar melhorias nos seus processos de entrega, basta entrar em contato. Teremos a maior satisfação em publicar a resposta na íntegra, garantindo que nossos leitores tenham acesso a todos os lados da história.


Nosso objetivo é um só: elevar o nível do mercado, compartilhar experiências reais e ajudar profissionais e clientes a tomarem decisões cada vez mais seguras.

Sobre o autor

Prof. Tiago de Oliveira Pereira

Eletrotécnico CRT-SP 39010733882

Responsável técnico da P-Solar. Projeta e executa instalações de carregadores veiculares, energia solar e retrofit elétrico com emissão de TRT.

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